Três pilares importantes na reforma curricular do Ensino Básico

Existem várias reformas educacionais em curso no mundo o objetivo de tornar o sistema educacional de cada país mais competitivo. As reflexões sobre a reforma curricular do Ensino Básico que vem sendo debatida no Brasil resultam em uma reanalise do papel da escola e da formação do egresso em todo mundo.

Ao se estabelecer uma nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC), como apresentada em 3 de abril de 2018 pelo MEC, a reflexão dos educadores deve albergar não apenas na inovação nos programas e currículos escolares, mas tecer um olhar critico sobre seus desdobramentos na escola e em suas bases, e também nas ações inovadoras do próprio sistema de ensino, garantindo que uma ampla reforma seja implementada a contento.

A BNCC exigira um esforço de todos os envolvidos para lançar luz aos diferentes significados que podem ser atribuídos ao conceito de inovação, de modo a possibilitar que “os grupos envolvidos com temática estabeleçam, mediante consenso, um conjunto de referências teóricas capazes de balizar a escolha e a analise das experiencias que sinalizam efetivas modificações nas práticas educativas” (Unesco 2016)

O documento apresentado pelo MEC para subsidiar a reforma (homologado pela Portaria 1.570 publicado no D.O.U de 21/12/2017, Seção 1, pág. 146) apresenta inicialmente um perfil requerido para formação do aluno que considero um dos pilares de atenção das instituições, haja vista que possibilita uma formação coerente, demandada pela sociedade do século XX1. Para ilustrar tais competências, utilizarei o quadro elaborado por Lauri Cericato, apresentado abaixo.

Para compor um currículo capaz de proporcionar o desenvolvimento dessas competências, não existe receita, e sim novos caminhos, centrados na mudança cultural do ambiente escolar e no desenvolvimento de estratégias para que os professores se apropriem do processo coletivo de construção. A inovação curricular, para além de si mesma, é a expressão de uma concepção de mundo, de homem e de sociedade.

O segundo pilar a ser considerado e exatamente o da formação docente integrada em diversas áreas do conhecimento, uma vez que os docentes formados ainda pelas graduações e licenciatura concebidas no século XX, em que a especialização disciplinar foi a tônica da formação, possuem visões predeterminadas em que suas áreas de formação. Conforme Lichnerowicz (2006) “uma grande parte das atividades sociais, como o próprio desenvolvimento da ciência, exige homens capazes de um ângulo de visão muito mais amplo e, ao mesmo tempo, de um enfoque dos problemas em profundidade, além de novos progressos que transgridam as fronteiras históricas das disciplinas”. Sabe-se que o profissional devera renovar seu conhecimento constantemente durante a carreira para se manter no mercado, o que se configura como educação continuada ao longo da vida diante da absolencia do conhecimento.

Em contrapartida “a formação do século XXI é palco da fluidez e da transposição das fronteiras disciplinares. Daí a ênfase na autonomia intelectual do aluno, na interdisciplinaridade, na inseparabilidade entre produção e transmissão do conhecimento” (UFABC,2013,P 119) Nesse cenário, programas de formação permanente do educador, que o estimulem para necessidade de conhecer as tendências que influenciam o ensino e a aprendizagem, são essenciais para a segurança no desenvolvimento do processo pedagógico em sala de aula ou fora dele. O ensino-aprendizagem requer do educador a periódica e sistemática avaliação e autoavaliação da ação em termos de sua propriedade e adequação aos fins educacionais, no sentido de ele assumir a mediação do conhecimento, partilhando-o com o aluno.

Em ultima analise, aponto um terceiro e ultimo pilar, o da reconfiguração da natureza do conhecimento, que se apresenta como fator efervescente em sistemas educacionais e institutos de pesquisa em todo o mundo. A proposta para os currículos de Ensino Médio aparece com possibilidade de construção de algumas rotas ou trilhas de aprendizagem. São elas:

I-Linguagem e suas tecnologias; 

II-Matemática e suas tecnologias;

III-Ciências da natureza e suas tecnologias;

IV-Ciências humanas e socias aplicadas;

V- Formação técnica e profissional

Os currículos devem retratar o posicionamento interdisciplinar diante da realidade e do desenvolvimento da área de conhecimento a ser discutidos pela comunidade acadêmica, que direciona a pratica pedagógica da instituição. O currículo contribui para compreensão, interpretação preservação, reforço, fomento e difusão das culturas em contexto de pluralismo e diversidade cultural.

A introdução de um modelo interdisciplinar se caracteriza como uma inovação incremental, ou de melhoria dos processos internos, mas gerada por uma externalidade, no caso, a demanda por um novo modelo de formação diante da revolução do próprio conhecimento. Devem-se evitar debates teóricos sobre conceito de interdisciplinaridade e enfatizar a importância de se entender o fenômeno como pratica em implantação, e não como métodos e regras estanques.

Desenhar uma estrutura de rotas ou trilhas de aprendizagem, em que alunos não precisam aprender todos ao mesmo tempo a mesma coisa e da mesma maneira, poderá render a instituições de ensino os melhores frutos. Para realizar essa reforma, o projeto pedagógico da escola deve ser bom e contemplar os três pilares citados no texto. O modelo deve atender a expectativas dos usuários e dos gestores

Formar alunos e educadores com competência relacionada a valores conteponranios, associados a inovação, excelência educacional, sustentabilidade e inclusão social, para responder aos novos desafios da reforma curricular, é contribuir para sociedade mais equânime.

Fonte: Revista Linha Direta ED 243 ANO 21 JUNHO.2018

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