Não basta ser pai, tem que ser pai moderno

Dar banho, comida, inventar brincadeiras, auxiliar no dever de casa, levar e buscar na escola ou em uma atividade esportiva são tarefas que há algumas décadas não foram atribuídas a figura paterna, mas com o passar dos anos um novo conceito de família foi se criando e o progenitor passou a ocupar esse espaço.

A partilha de deveres faz com que o pai participe mais ativamente em todos os aspectos da vida dos filhos, e a consequência vem em diversas maneiras. Pode-se dizer que hoje em dia, majoritariamente, os pais são mais amorosos, mais calorosos e tem uma proximidade emocional que permite estreitar laços de confiança e respeito com as crianças

Para a terapeuta familiar Fabiola Sperandio, os pais estão percebendo a importância de se fazerem presente na vida dos filhos e tem investido nesse papel, por exemplo, participando mais de eventos e reuniões escolares, consultas medicas, atividade esportivas. “O desempenho do pai e da mãe, quando somado, colabora significativamente na vida das crianças.”

A profissional atribui essa atitude a um conjunto crescente de ações que estão disseminando conhecimento, contribuindo, assim, para a mudança de postura do pai diante de seus filhos. “Hoje nós podemos perceber que tanto pai quanto a mãe está provendo, juntos, independentemente de morrerem na mesma casa ou não, o sustento, os estudos, as viagens. Isso acaba influenciando positivamente na convivência e contribuindo para o encantamento do pai diante do filho”, explica a terapeuta.

Seguindo a linha participativa de companheirismo e afetuosidade, foi que o ator e apresentador Dan Stulbach se preparou para paternidade. Para ele, atualmente, o pai responsável tem total prazer em ser mais presente na vida dos filhos, e a própria evolução da sociedade exige essa atitude. “Na verdade, hoje em dia se cobra um comportamento diferente do homem daquele que se cobrava antigamente, na geração do meu pai, por exemplo” conta Dan em bate-papo exclusivo com Ludovico.

“Minha relação com a paternidade e ótima e saudável. É uma experiencia que eu sempre quis viver. Dei aula durante 11 anos da minha vida e, de alguma maneira, já estava acostumado e preparado para essa relação de troca. E muito intenso”, diz o ator, que é pai de Anita e Davi.

Usado o próprio exemplo, Dan Stulbach aprova esse modelo de paternidade moderna explica que, na infância, o papel do pai tinha que ser um conceito de ser superior e provedor familiar, atuando normalmente, nos momentos mais críticos. “Era aquela coisa de você trazer o dinheiro para casa, fazer as coisas funcionarem e, de alguma maneira, deixar o cuidado do lar e a educação do dia a dia apenas ali com a mãe.”

NA VIDA E NA NOVELA 

O último personagem por Dan Stulbach na TV foi Eugenio, em “A força do Querer” novela da Rede Globo. Na trama, Eugênio era pai de Ivana (Carol Duarte), uma jovem transexual que tinha muitas questões emocionais e enfrentou todos os tipos de preconceito, inclusive por parte da mãe Joyce (Maria Fernando Candido), até o momento em que conseguiu se libertar das marras da ignorância e passou a ser Ivan.

Dentro desse contexto cheio de aflições e incertezas, Eugenio sempre se manteve ao lado da filha, mesmo quando tudo era muito mais difícil para ele também. “Foi muito boa essa experiência por que Eugenio era um pai 100%. A gente trabalhava muito essa questão de paternidade, e do cuidado. E uma característica interessante também e que ele não sabia tudo, estava aprendendo muita coisa junto com o espectador a partir do amor pela Ivana”, recorda o ator, que diz ter aprendido muito com o personagem.

“Foi um trabalho muito bacana, muito forte, importante. Sabemos que em uma novela o entretenimento vem em primeiro lugar, mas quando ela consegue ir além do entretenimento e provocar, esclarecer e lutar contra a ignorância, engrandece a profissão, o trabalho e a nossa própria experiencia”, define Dan Stulbach.

PAI E MUITO MAIS 

A frente do programa Hora do Expediente, da rádio CBN, em parceria com Jose Godoy e Luiz Gustavo Medina, Dan Stulbach consegue organizar a agenda para realizar diversas atividades. Além da atenção e do zelo pelos filhos, o apresentador encontra tempo para se dedicar a TV, teatro, esportes, literatura e tudo aquilo que desperta seu interesse “Tenho prazer em fazer várias coisas diferentes porque me interesso por coisas diferentes. Eu me interesso por futebol, eu me interesso por política, eu me interesso educação, enfim, pela vida. De alguma maneira sou meio múltiplo assim e tenho a sorte de ter uma profissão que me possibilita navegar por esses universos todos. Acho legal saber um pouco de tudo, aprender com tudo, e uma coisa sempre se mistura com a outra”, finaliza Dan.

Fonte: Ludovica Ed. 41 Agosto/2018

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